Ao longo do século XX, a humanidade conheceu uma verdadeira revolução no seu modo de existir. A contração do espaço-tempo, anunciado a princípio por Einstein e materializado pelo desenvolvimento da industria do transporte, dos mídias, da comunicação e do lazer (entertainment)modificaram nossa visão de mundo. As tecnologias digitais permitiram a abertura de um novo campo na percepção dos dados e na horizontalidade das trocas, o Unico perdeu seu valor hierárquico. Entramos então na era do múltiplo, da duplicação e da conecção.

Contudo, notamos que esses profundos buleversamentos não conseguiram afetar a distribuição clássica vertica do poder. Este não mudou de mãos. E o que épior é que a hierarquia piramidal clássica se reforça e o fim do século XX vê os mesmos grupos de interesses utilizar as formas mais avançadas das tecnologias da comunicação e informação à fim de manipular a opinião pública e se manter no poder. Criando um simulacro de espetáculo burlesco destinado à captar uma opinião pública cada vez mais submetida ao bombardeio midiático, os mídias e a indústria do espetáculo servem de abrigo e de agentes servis a estas corporações.

A Internet oferece uma possibilidade única na história das comunicações. Ela torna possível a democratização da informação pelo acesso horizontal aos meios de produção e distribuição de uma parcela maior e heterogênea da sociedade. Ao mesmo tempo, a História — sempre a mesma — nos é imposta por meio desses mídias "incorporados" globalizados. Uma História dos "vencedores" e dos dominantes que hoje, como antes, não leva em conta as diferenças culturais nem o caráter heterogêneo da humanidade e sua multitude.

O século XX foi o século das ideologias. Nós postulamos que o século XXI será o dos artistas e dos cidadãos da siciedade civil face o Império. Talvez caiba aos artistas de rearticular a história de tal forma que ela possa ser contada e ensinada utilizando o caráter democrático e horizontal dos novos meios interconectados como a Internet. Oferecer a ver, a ler e a experimentar uma releitura permanente da história, como afirmou Walter Benjamin:
"A tradição dos oprimidos nos ensina que o 'estado de exeção' no qual vivemos hoje é a regra. Nós devemos elaborar uma concepção da história que tome conciência dessa situação".

É esta posição de testemunhas alertas diante da história, de vigias criticos e atentos que queremos sustentar na CAM.
Os pequenos fragmentos/moléculas da história (os fatos históricos) têm a propriedade de mudar de significação segundo o ponto de vista analizado. Nós desejamos criar uma arquitetura de informação que possa tornar possível a associação de fragmentos/moléculas históricas, que, mesmo sendo levados em conta separadamente, têm a propriedade conjunta de contar histórias, contar a História sob suas múltiplas facetas.